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Desde 18/10/2001
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Boadicéia
- Parte 2 - Como foi que tudo começou? Quando foi
que o senhor percebeu que poderia tornar-se um herói de verdade?
Pergunta estranha. Do jeito que você fala
parece que ser herói é algum tipo de profissão que escolhemos
seguir, como um carpinteiro ou ferreiro. Foi o destino que me
guiou para a vida que tive, foram os fatos que presenciei que
me obrigaram a escolher entre trilhar o bem ou o caminho do
mal. Eu apenas escolhi, assim como muitos outros antes de mim.
A diferença é que alguns fazem escolhas mais fáceis e outros
fazem as escolhas certas. - A diferença está em decidirmos o
que iremos mostrar ao mundo... nossos demônios interiores que
todos nós temos, ou o que existe de melhor em nossas almas.
É apenas uma escolha que separa heróis e vilões.
-
Quais fatos então guiaram o senhor para o caminho que escolheu?
- Não sei se houve algo específico...
O olhar do rei desaparece no horizonte, a atenção dele
perde-se por alguns segundos como se ele estivesse procurando
algo, uma lembrança, uma recordação que conferi-se sentido às
suas palavras.
- Meus pais morreram quando
eu era muito jovem ainda. Eu, mais do que ninguém, sei o tipo
de monstro que poderia ter me tornado por perder tantas coisas
na minha vida. Sente-se, Durval. Essa lembrança que me ocorreu
é uma história longa. Não quero que canse suas pernas ouvindo
uma memória de um velho senil como eu...
-
Como quiser, senhor. A convivência com o rei sempre deixava
o escritor um pouco nervoso. Antes de conhecê-lo, Demétrio havia
ouvido muitas lendas e fatos sobre a vida do homem que tão simples
lhe parecia agora. Um homem que nos seus tempos de guerra ficou
famoso por liderar exércitos contra dragões. Dizem que a alma
dele foi disputada de forma ferrenha pelas forças do bem e do
mal. Os demônios desejavam o poder dele por algum motivo, talvez
por saber a força que ele possuía para espalhar a iluminação
entre as pessoas. Nunca por vontade própria ele tornou-se líder,
apesar de guiar, queria que as pessoas abrissem seus olhos e
abandonassem a ignorância. Apesar de lutar com todas as forças,
desejava ver o povo erguer-se contra as injustiças que eram
perpetradas todos os dias.
- Bem, quando
eu era jovem, vivia com meus pais em uma cidade tranqüila. Ela
não era muito grande, apesar de expandir-se com o passar de
cada ano, a cidade ainda não era um centro. O coração vivo de
todo o lugar era um Templo dedicado ao Deus do Fogo. Em certa
data, que me foge da lembrança, ocorreu um ataque à cidade.
Você já viu magia, Durval?
- Poucas
vezes. Por que, senhor?- Então
você é um homem de sorte. Minha cidade natal foi atacada por
uma magia tão violenta, que facilmente reduziu uma calma comunidade
em um bando assustado de sobreviventes. Até hoje não sei se
era uma Chuva de Meteoros ou algo semelhante, mas apesar de
alguns lapsos causados pela minha idade, consigo lembrar com
clareza de muitos pormenores que presenciei. Demétrio
começa a tomar nota, tentando fazer suas palavras soarem fiéis
ao o que é dito pelo rei...
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