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Boadicéia - Parte 2

- Como foi que tudo começou? Quando foi que o senhor percebeu que poderia tornar-se um herói de verdade?

 Pergunta estranha. Do jeito que você fala parece que ser herói é algum tipo de profissão que escolhemos seguir, como um carpinteiro ou ferreiro. Foi o destino que me guiou para a vida que tive, foram os fatos que presenciei que me obrigaram a escolher entre trilhar o bem ou o caminho do mal. Eu apenas escolhi, assim como muitos outros antes de mim. A diferença é que alguns fazem escolhas mais fáceis e outros fazem as escolhas certas. - A diferença está em decidirmos o que iremos mostrar ao mundo... nossos demônios interiores que todos nós temos, ou o que existe de melhor em nossas almas. É apenas uma escolha que separa heróis e vilões.

- Quais fatos então guiaram o senhor para o caminho que escolheu?
- Não sei se houve algo específico... O olhar do rei desaparece no horizonte, a atenção dele perde-se por alguns segundos como se ele estivesse procurando algo, uma lembrança, uma recordação que conferi-se sentido às suas palavras.

 - Meus pais morreram quando eu era muito jovem ainda. Eu, mais do que ninguém, sei o tipo de monstro que poderia ter me tornado por perder tantas coisas na minha vida. Sente-se, Durval. Essa lembrança que me ocorreu é uma história longa. Não quero que canse suas pernas ouvindo uma memória de um velho senil como eu...

 
- Como quiser, senhor. A convivência com o rei sempre deixava o escritor um pouco nervoso. Antes de conhecê-lo, Demétrio havia ouvido muitas lendas e fatos sobre a vida do homem que tão simples lhe parecia agora. Um homem que nos seus tempos de guerra ficou famoso por liderar exércitos contra dragões. Dizem que a alma dele foi disputada de forma ferrenha pelas forças do bem e do mal. Os demônios desejavam o poder dele por algum motivo, talvez por saber a força que ele possuía para espalhar a iluminação entre as pessoas. Nunca por vontade própria ele tornou-se líder, apesar de guiar, queria que as pessoas abrissem seus olhos e abandonassem a ignorância. Apesar de lutar com todas as forças, desejava ver o povo erguer-se contra as injustiças que eram perpetradas todos os dias.
 - Bem, quando eu era jovem, vivia com meus pais em uma cidade tranqüila. Ela não era muito grande, apesar de expandir-se com o passar de cada ano, a cidade ainda não era um centro. O coração vivo de todo o lugar era um Templo dedicado ao Deus do Fogo. Em certa data, que me foge da lembrança, ocorreu um ataque à cidade. Você já viu magia, Durval?
 
- Poucas vezes. Por que, senhor?- Então você é um homem de sorte. Minha cidade natal foi atacada por uma magia tão violenta, que facilmente reduziu uma calma comunidade em um bando assustado de sobreviventes. Até hoje não sei se era uma Chuva de Meteoros ou algo semelhante, mas apesar de alguns lapsos causados pela minha idade, consigo lembrar com clareza de muitos pormenores que presenciei. Demétrio começa a tomar nota, tentando fazer suas palavras soarem fiéis ao o que é dito pelo rei...



 

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