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Boadicéia - Parte Final

Não que ainda houvesse algo para ser defendido, eram apenas ruínas. O primeiro ataque devastou a cidade. As pessoas que ficaram sabiam que não lutariam contra um dragão para disputar uma vila arruinada. Eles ficaram porque isso era o correto a ser feito, ficaram para lutar por seus ideais e morrer por aquilo que acreditavam, se fosse necessário. Esse sacrifício tornou-se para mim o sentido do heroísmo. Se você quer saber, meu caro escritor, eles eram heróis mais do que eu poderia ser.

Eu queria ficar, lutar ainda que com pedras e madeira. Mas os templários ainda olhavam para mim e viam uma criança. Eu olhava para mim e via um guerreiro. Foi ali que nasci de fato. Soube que aquele grupo de aventureiros que havia feito o escudo, terminou por ficar na cidade e lutar lado a lado com os moradores. Aquela não era a terra deles, não tinham que ficar. Porém ficaram, junto com alguns outros, decidiram lutar. Escolheram o caminho mais difícil e correto.

Aquele dia aprendi o significado da palavra herói e escolhi meu caminho.

O rei afasta-se da sacada, anda até uma das paredes do seu quarto onde estão presas algumas espadas.

- Então o que aconteceu? O dragão atacou a cidade? O que aconteceu depois?

Sem dizer nada, ele apanha uma montante. A espada por si só é maior que Demétrio. É impressionante ver como o rei maneja a arma, segurando-a como se ela não pesasse quase nada. Habilidosamente ele gira a lâmina em movimentos rápidos, usando a prática que adquiriu ao longo das décadas. O escritor observa atentamente os movimentos sincronizados, um pouco apreensivo, pois o rei parece absorto em suas lembranças.

- Senhor....?

Com um movimento mais rápido do que os olhos do escritor, o rei investe um ataque contra Demétrio, que paralisado, não esboça reação. A velocidade é tal que mal se pode ver a complexidade do movimento do rei. A lâmina de quase dois metros pára a poucos centímetros do rosto de Durval.

- Parece que não esqueci como se luta ainda...Não precisa ficar com essa cara de assustado, Durval, eu não ia acertar você... ao menos acho que não."

Nesse instante o monarca esboça um sorriso.

- Creio que por hoje podemos encerrar nossa conversa sobre o meu passado...

- Mas e quanto ao final da história senhor? Quem venceu? O que aconteceu àqueles aventureiros...?

O rei descansa suas duas mãos sobre o cabo da espada, silencia. Olha para o escritor, e com uma voz ausente do peso da idade diz:

- Essa é já é outra história, Durval, longa demais para ser contada agora. Pode retirar-se, espero você amanhã neste horário.

Curioso diante dos fatos relatados, o escritor até cogita perguntar outra vez sobre os fatos narrados, mas como o próprio rei disse, haverão outras oportunidades.

- Como preferir. Tenha um bom dia, senhor.

Enquanto o escritor preparava-se para deixar os aposentos do rei, ele ouviu a voz do monarca chamando seu nome.

- Durval!

- Sim, senhor...?

- Por favor, pode parar de chamar-me de senhor. Meu nome é Tetsuo.

Fim...?!?

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